segunda-feira, 2 de novembro de 2009

VIII Jornadas Latinoamericanas de Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología

Recebi hoje a notícia de um evento que tem tudo para ser interessantíssimo… Além do tema ser de uma relevância ímpar para os Estudos da Ciência, é em Buenos Aires! O que sempre é um prazer reviver, reconhecer, reencontrar…

Abaixo as informações do evento:

Datas: de 16 a 19 de julho de 2010]

Tema do Evento: Ciência e Tecnologia para a Inclusão social na América Latina

Inscrição de Resumos até 27 de fevereiro de 2010 (tem tempo!!!), nos idiomas Português, Inglês, Espanhol e Francês.

Os resumos aceitos poderão enviar o trabalho completo até 15 de junho de 2010.

Temas para submissão de trabalhos:

1.Desafíos e historia de las políticas de ciencia y tecnología en los paises de Iberoamérica
2.Instituciones, disciplinas y campos de la ciencia y la tecnología
3.Tecnología, Innovación y Sociedad
4.Procesos de producción y uso del conocimiento científico y tecnológico
5.Participación de los públicos, comunicación y democratización
6.Los riesgos de la ciencia y la tecnología
7.Debates teóricos y metodológicos en el estudio social de la ciencia y la tecnología
8.Dimensiones internacionales de la ciencia y la tecnología
9.Educación CTS y Educación Superior
10.Las tecnociencias emergentes

Mais informações no site do evento e na primeira convocatória para submissão do trabalho.

Leia Mais…

Arquitetura da Destruição: Parte II

Continuando a discussão traçada na semana anterior, hoje falarei de uma das grandes teorizações que culminaram no entendimento de que era necessário selecionar e/ou modificar a espécie humana, a fim de melhorá-la… Segue, abaixo, mais um pouquinho desta história…

A partir do final do século XVII, mas principalmente nos dois séculos seguintes, temos um acontecimento que parece novo para o mundo ocidental (em especial em localidades como Inglaterra, Alemanha, Itália, França, etc.) que é a emergência da população. Até meados do século XVII ainda víamos a constituição dos estados muito próximas da noção feudal, o povo que morava na terra não era tido como uma população, mas massa de gente que fazia parte da propriedade daquele feudo ou estado. Com a constituição da população, nos séculos seguintes, e quando digo população isso está, em certa medida, associado com a urbanização na Europa, vemos aparecer um conjunto de mecanismos, estratégias para controlar e manter a população. Esta não é mais propriedade de um estado, mas é sua razão de ser. O estado só consegue se estabelecer como Nação se existe um povo que se sente parte, sente-se conjunto que faz e produz para um bem comum e não mais para um rei, apenas. A noção de população só é possível de se ter a partir do século XIX e está relacionada a uma série de campos científicos emergentes, como a estatística e as ciências atuariais, os estudos demográficos, antropológicos e sociológicos, dentre outros (Foucault, 2002; Sennet, 2003).

Na biologia duas grandes teorias sobressaem-se às demais, no que diz respeito aos seres vivos, especificamente, mas também a um conjunto de indivíduos que vivem em conjunto. A primeira (a que falaremos brevemente hoje) é a ideia defendida por Jean-Baptiste Lamarck, em seu livro Philosophie Zoologique*, de que as características adquiridas ao longo da vida poderiam ser passadas aos descendentes, caso fossem comuns a ambos os progenitores. Nessa perspectiva evolutiva, a modificação partia do indivíduo, para melhor viver em seu ambiente.

Essas discussões, empreendidas por Lamarck, em especial na França, farão parte da constituição, quando aplicadas, ou estendidas aos seres humanos, do movimento higienista, que toma como medida preventiva para a degenerescência da espécie humana a educação e a modificação dos hábitos sociais, para transformar sua vida, melhorando as relações de saúde e de convivência social (Diwan, 2007). Tal movimento articula-se com as noções correntes de Saúde Pública e Medicina Sanitarista, que estão emergindo como grandes áreas da Medicina, nesse fim de século XVIII e início do século XIX, trata-se, assim, de uma tecnologia que procura controlar e modificar a probabilidade daqueles eventos que, individualmente são impossíveis de serem mensurados, mas populacionalmente são calculáveis, como o risco de mortes, acidentes, adoecimentos, etc. (Foucault, 2002, p. 297).

A segunda grande teoria, é claro, é a evolução pela Seleção Natural. Mas isso é o tema do próximo post!

* Observação fora da discussão do post, mas não do blog: Não sei quantas pessoas já tiveram o prazer de lerLamarck - Philosophie Zoologique este livro, pelo menos os capítulos dedicados às explicações evolutivas. Embora seja entendido como “errado” atualmente (e há muito tempo), este livro é interessantíssimo, com uma escrita simples, clara e objetiva. Ao ler os três capítulos que falam de evolução, vemos que Lamarck é muito mais do que o exemplo dos pescoços da girafa e das pernas das aves pernaltas. Suas deduções podem continuar não sendo aceitas, mas seu debate é muito mais do que o tornaram… Voltando ao livro, ele foi publicado originalmente em 1809, completando, portanto, 200 anos também! Embora menos valorizado do que o livro de Darwin, (e que o próprio Darwin) e obviamente ofuscado pelas comemorações destinadas ao grande cientista que explicou a evolução neste ano, não se pode ignorar a contribuição de Lamarck à Zoologia, tampouco à Biologia… Sempre é bom lembrar que Lamarck foi quem nomeou nossa estimada Ciência! Seu livro comemora 200 anos e, por isso, fiz esta enooorme observação sobre ele. Foi uma das grandes “descobertas” de minha formação: ler Philosophie Zoologique em uma disciplina de História e Epistemologia da Evolução. Aliás, foi uma grata alegria a todos meus colegas, pelo que me lembro.

Observação 2: Tem vários E-livros do Lamarck no Google Livros. Não consegui acessar o Domínio público hoje, o site está com pequenos problemas aparentemente. Mas acredito que também deva ter algo por lá!

Observação 3: a foto do livro foi retirada do site: http://www.decitre.fr/livres/Philosophie-zoologique-ou-Exposition-des-considerations-relatives-a-l-histoire-naturelle-des-animaux.aspx/9782080707079.

Leia Mais…

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Arquitetura da Destruição: Eugenia, Biologia, História e outras coisinhas mais

Recentemente fui convidada por um colega da Universidade em que trabalho, a discutir sobrearquiteturadadestruição as relações entre Eugenia, Ciências Biológicas, História e outras coisas mais que eu quisesse falar, relacionado ao documentário “Arquitetura da Destruição”, dirigido por Peter Cohen. O evento em que eu falei vincula-se a um projeto de Extensão voltado à comunidade universitária. Eu, particularmente, adorei o convite, claro! Pois o tema aproxima-se de minha pesquisa de doutorado e sempre é um prazer discutir esses temas que me levam pelos caminhos da pesquisa…

Resolvi adaptar parte do que eu levei ao debate, que foi extremamente produtivo a meu ver, para o nosso blog, afinal, falei de história da ciência o tempo todo, praticamente! O texto completo terá 5 partes, para não ficar muito cansativo de ler… Neste primeiro post apresentarei o documentário e algumas discussões que nos posts seguintes serão aprofundados, ok?

Este documentário tem como grande diferencial, em relação a inúmeras outras produções e estudos no campo da eugenia e da história da segunda guerra, apresentar o vínculo das ações militares e da política com a estética e a arte.

No filme há a descrição de que as ideias de busca pela perfeição são percebidas através da arte. É com a arte que Hitler representa o que é belo, bonito, forte, desejável e aquilo que deve ser colocado à margem. Para Hitler, a arte, assim como a espécie humana, está se deteriorando. Ou melhor, a arte moderna esta que estuda formas, cores e a relação entre luz e sombra, promovendo percepções de diferentes aspectos ou configurações humanas representa e idealiza o quanto nós estamos definhando, degenerando. A partir dessas noções de arte, defendidas por Hitler, saúde e beleza se mesclam, tornando evidente o modelo de ser humano ideal.

Existe uma frase que mostra alguns pontos de partida para ideias como essas, da seleção e promoção da vida com base em ideais científicos e estéticos, da manutenção da vida em uma nação. É sobre esses pontos históricos que pretendo discorrer, brevemente, nos posts que virão nas próximas semanas, apresentando também alguns acontecimentos ligados a esses ideais eugênicos, presentes ainda hoje em nossa sociedade.

A frase que me refiro é uma citação de Hitler (ao menos supostamente), "se criarmos a síntese das três - Atenas, Esparta e Roma - nossa nação jamais perecerá".

É de conhecimento comum que na Grécia e Roma Antigas selecionavam aqueles que nasciam por aspectos físicos de estética e saúde (deformidades faciais e/ou corporais). Não se almejava, naquelas culturas e em tantas outras em que a prática de infanticídio era/é comum, o investimento em sujeitos fracos ou feios. A incumbência de criar crianças que não teriam a beleza que nos aproxima do Olimpo, a força dos deuses ou que nos faz vencer a guerra era pesada demais para se manter na sociedade. Assim, o infanticídio não era uma prática, na Antiguidade, tida como assassinato, mas quesito básico para se manter a civilização Grega e Romana, tal qual havia sido planejada.

A grande diferença entre as culturas ditas "da antiguidade" e a chamada Eugenia, que teve seu início no século XIX e que também pregava a seleção de pessoas para uma sociedade planejada e estética e intelectualmente aceitável, não foi no ato de seleção, mas em como se ancoram os argumentos para tanto.

Saltando alguns milhares de anos, ignorando completamente a Idade Média, partindo para a civilização das Luzes, temos uma volta ao planejamento e ordenamento da sociedade, um tempo de organização e produção do que é e como se faz ciência e sociedade, que possibilitou entendermos e estudarmos o mundo, como o fazemos hoje. A biologia teve um papel importantíssimo na emergência dos princípios eugênicos. Como dizia antes, a diferença em relação à antiguidade não foi no ato em si, mas em como se articulou e aceitou a proposta de seleção de pessoas nesses dois períodos históricos distintos. A eugenia, e outro movimento que teve sua emergência muito próxima em termos de tempo, o higienismo, teve como grande mote o discurso científico. Não era aceito somente selecionar, mas a seleção acontecia fundamentada em duas grandes teorizações do século XIX. Ambas fazendo aniversários centenários neste ano de 2009 (Aliás, o ano de 2009 é um ano bem interessante, se formos pensar em grandes datas históricas!)

E então? O tema interessou? Em breve, novos posts sobre o assunto: aguarde!!!

Obs: No Brasil, os direitos e a distribuição do filme é feita pela Versátil Home Video e Mostra Internacional de Cinema, tendo sido relançado em 2006. Atualmente é relativamente simples encontrá-lo em livrarias, ou mesmo em lojas de departamento, com preço bem acessível (quando escarafunchando promoções…).

Leia Mais…

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A criação do CNPq


Em homenagem ao meu último ano de graduação e aos diversos relatórios enviados àqueles que me sustentaram contribuíram com a minha formação na área da pesquisa básica resolvi escrever sobre ele, o CNPq! Sim! Pois ainda encontro bolsistas do mesmo órgão que não têm idéia do significado da sigla (se você pensou Conselho Nacional de Pesquisa errou também. Rá!!). Pois bem, o post vai lembrar muito as páginas do wikipédia por causa de seus vários hiperlinks, mas não leve a mal são necessários e no mínimo "mais" informativos.

Desde 1920, o CNPq era considerado uma velha aspiração pela comunidade científica brasileira da época, foi um longo processo e há indícios de que seu início se deu numa série de reuniões que Paulo Assis Ribeiro realizou na primeira sede da Fundação Getúlio Vargas, na praia de Botafogo. Ali juntaram-se cientistas mais idosos e mais moços, que discutiam com bastante interesse a organização científica do Brasil.

A maior influência que o Brasil teve para a criação deste centro de pesquisas foi – como muita coisa da época – da França, onde, por Jean Pérrin foi criado o Centre National de la Recherche Cientifique (CNRS). O cientista brasileiro Carlos Chagas Filho, por intermédio de outros pesquisadores teve uma reunião com Jean Pérrin onde este lhe explicou o que era o CNRS e como havia sido criado. Então quando Carlos Chagas Filho retornou ao Brasil entregou todo o material ao então ministro da educação e saúde pública Gustavo Capanema, que “mostrou-se entusiasmado com a idéia e levou o material ao presidente Getúlio Vargas” (Carlos Chagas Filho).

No entanto ainda faltava alguém que desse mais peso ao movimento, uma pessoa com personalidade e influência, e foi daí que surgiu a pessoa do Almirante Álvaro Alberto Motta e Silva que havia retornado dos EUA, onde presidiu a primeira conferência sobre Energia Nuclear. Depois de anos de discussão, elaboração do projeto dentre muitos outros problemas mais políticos do que científicos, por meio da ABC (Academia Brasileira de Ciências) e do empenho de seu então presidente o Almirante, em 15 de janeiro de 1951 foi criado o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), mais tarde transformado em Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (lei 6129, de 6/11/1974).

Mas qual a diferença entre um e outro? E porque a sigla continua sendo a mesma?

Necessariamente foi a política adotada em decorrência dos bastantes ajustes como criação e incorporação de institutos. Acompanhemos seu desenvolvimento em alguns tópicos - deixo claro que podem surgir muitas siglas. Muitas delas são conhecidas do público leitor, outras nem tanto, mas se há sigla há um nome por trás dela, então vamos registrar os dois:

Na década de 20 a ABC (Academia Brasileira de Ciências) propôs a criação de um Conselho Nacional de Pesquisa;

1936: Getúlio Vargas propôs a criação de um conselho de pesquisas experimentais para atividades agrícolas... Não foi pra frente;

1946: o almirante Álvaro Alberto sugeriu que a ABC intercedesse junto ao governo para a criação do Conselho Nacional de Pesquisa;

1948: o deputado José Pedroso Jr apresentou um projeto para a criação do conselho, o mesmo não foi aceito;

1949: uma comissão (de cientistas) foi designada para escrever um projeto de lei instituindo um Conselho Nacional de Pesquisas;

1951: no dia 15 de janeiro o presidente Dutra assina a lei de criação do CNPq;

1952: Criação do IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e INPA (Instituto de Pesquisas da Amazônia);

1954: Criação do IBBD (Instituto de Bibliografia e Documentação), mais tarde transformado em IBCIT (Instituo Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia);

1955: Incorporação do MPEG (Museu Paraense Emílio Goeldi);

1957: Criação do IPR (Instituto de Pesquisas Rodoviárias), hoje pertencente ao DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes);

1961: Criação do CNAE (Comissão Nacional de Atividades Espaciais), mais tarde transformado em INPE (Instituto nacional de Pesquisas Espaciais);

Quanto Instituto (e sigla)!!! Mas isso talvez seja para percebermos a importância de se ter um Conselho de Pesquisas no país.

Ainda entre as décadas de 70 e 90 o CNPq criou e / ou incorporou vários outros institutos e centros de pesquisa:

- Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF);

- Observatório Nacional (ON);

- Centro de Tecnologia Mineral (Cetem);

- Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC);

- Museu de Astronomia e Ciência Afins (MAST);

- Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS); Durante 10 anos (1987-1997), o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e o CNPq investiram na implantação do LNLS;

- Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA);

- Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM).

Hoje estas unidades de pesquisa pertencem ao Ministério da Ciência e Tecnologia, o que permite o CNPq intensificar os esforços nas atividades de fomento científico e tecnológico visto que era, no princípio, um de seus principais objetivos. Na década de 90, com várias de suas funções passadas para o Ministério da Ciência e Tecnologia, os gestores do CNPq agora instituíram uma nova missão:

“Promover o desenvolvimento científico e tecnológico e executar pesquisas necessárias ao progresso social, econômico e cultural do país”.

Texto Extraído do Centro de Memória do CNPq e do livro “Um Aprendiz de Ciência” de Carlos Chagas Filho;

Leia Mais…

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O "príncipe" dos observadores

Bom,

Hoje a passagem será rápida e indolor, a idéia é socializar um artigo que foi publicado recentemente no jornal do Instituto de Biociências da Unesp, instituição onde concluirei meu curso (se a dengue e H1N1 permitirem).

Para acessar o artigo é só clicar no título do post e ir até a página 2, ou salvar em Pdf p/ ler off line.

Boa leitura e aquele abraço!

Leia Mais…
 
BlogBlogs.Com.Br